Acordamos e uma chuva fraca caía sobre Paris. Pensei que tudo iria correr bastante mal, já que o Flávio amanheceu com uma tremenda dor de garganta, com uma baita dor no corpo e com tosse e a Bebel nem queria levantar da cama de tanto esgotamento.
Mas não foi o que aconteceu. Acabamos tendo um dia cansativo, mas delicioso!
Primeiro, para evitar a chuva, decidimos ir ao Louvre, o que se mostrou a escolha mais acertada da viagem. De fato, a Bebel de cara se encantou com as lojas de livros dedicadas a crianças, que são todas cobertas de livros-caixas surpresas infantis, que lhe permitiram entrar num mundo de fadas, dragões, cavaleiros, reis e princesas medievais.
Logo ao sair do metrô que dá acesso direto ao Louvre, entramos numa loja que se chama “Petit Jour Paris” onde eu mesma enlouqueci ao ver que a loja tinha absolutamente tudo quanto é produto do Pequeno Príncipe. Comprei a raposa, o boneco do pequeno, o carneirinho, alguns apontadores, lápis, giz-de-cera e muitas outras miudezas. Também tinha muita coisa do Obelix e de fadas: foi um sonho!
Em seguida, para nos aquecer, paramos num Starbucks café, onde a Bebel achou algo parecido com o “mamazinho de casa” e muito gostoso, o que a encantou, alimentou e satisfez por mais de três horas (e a mãe ficou com o copo para scrap, hahaha)!
Mais uma parada numa livraria de princesas medievais e estávamos prontos para enfrentar o exterior (não, não visitamos o museu com ela), onde não mais chovia e o sol até ensaiava dar o ar de sua graça.
Continuamos mostrando-lhe as várias pirâmides do Louvre e ela se divertiu tirando fotos.
O passeio ficou ainda mais interessante porque o Flávio começou a apresentar-lhe, num “tour” com estórias de princesas, o antigo palácio do Louvre. Ela ficou deslumbrada e queria escutar várias vezes a mesma estória, com muitos detalhes. Num dado momento, lamentou não ser ela mesma uma princesa, mas logo ficou convencida pelos argumentos sobre a dificuldade da vida de uma princesa.
Aguentou atravessar todo o “Jardin des Tuileries” e só foi descansar na roda gigante que está estacionada ali, para um passeio aquecido com uma vista inacreditável da cidade.
Como já eram três horas da tarde, resolvemos parar num restaurante para comer crepes franceses e formos a Notre-Dame de Paris, para ver sua monumental arquitetura que remonta à Idade Média.
E, de repente, sem qualquer explicação possível, a Bebel se mostrou disposta e curiosa para conhecer Notre-Dame. Queria que o Flávio contasse tudo sobre a estória do Quasímodo e subiu, toda falante, na maior disposição, os 258 primeiros degraus gastos da escada em caracol da torre que nos levaria a ver as variadas gárgulas e um dos sinos da catedral. Adorou tudo e ficou cheia de questionamentos quando eu a lembrei que fora dali de cima que uma turista se suicidara, matando a mãe de Amélie Poulain, logo no começo do filme.
O Flávio, que já fizera essa visita anteriormente, não tinha a menor intenção de continuar subindo as escadas da catedral, ultrapassando a "galerie des chinères" para visitar o topo da torre sul, mas ela estava irredutível! Subiu mais 123 degraus e não parava de falar sobre tudo o que iria contar às suas amiguinhas quando retornasse.
Valeu a pena ir ao topo de Notre-Dame, pois dali de cima tive a oportunidade de visualizar o formato de barco da Île de la Cité perfeitamente. As origens de Paris remontam justamente a essa ilha na qual se situa a Catedral de Notre-Dame.
A descida também ocorreu no maior entusiasmo e só entramos na Catedral porque ela insistiu. Queria fazer uma prece, fazer um desejo, assistir à missa, acender vela. Foi o maior barato! Deixamos que ela fizesse suas orações de olhos fechados, no maior fervor, e fomos ao metrô para ir embora, já que estávamos esgotados.
No metrô, ficou apavorada com uma fotografia que está exposta num out-door de campanha para conter as discriminações contra leprosos em que aparece um doente num estado impressionante. Os “porquês" se multiplicaram e ela queria saber tudo sobre a doença. Muito alarmada, pediu que lhe déssemos remédios para que ela não contraísse a doença e contou estar ainda mais preocupada porque pediu saúde para todo mundo na Igreja, mas esqueceu de dizer que ela também precisava de saúde. Tentamos, então, tranqüilizá-la, explicando-lhe que por certo ela estava incluída na oração de “todo mundo”e que ela não iria contrair tal doença. O argumento a satisfez e ela dormiu no trem, no colo do pai, esgotada e só foi acordar no hotel, onde disse que estava refeita e queria ver e brincar com tudo o que comprara.
Por fim, depois de uma passada na farmácia para resolver o mal-estar do Flávio, resolvemos descansar um pouco e nos preparar para a viagem de TGV amanhã até Bourg St Maurice, tendo por destino final o Club Med em Tignes, uma estação de esqui nos alpes franceses, na região de Savoie.











